quarta-feira, julho 29, 2026

Câmara de Franca debate crise na saúde e estuda criar CEI para investigar problemas

Os problemas enfrentados pela rede pública de saúde de Franca dominaram os debates da sessão da Câmara Municipal realizada nesta terça-feira (28). Vereadores e um morador da cidade relataram dificuldades no atendimento, demora para consultas e cirurgias, além de denúncias sobre o funcionamento dos serviços. Diante da situação, parlamentares estudam a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o setor.

O primeiro a abordar o tema foi o munícipe José Aparecido Policarpo. Em sua manifestação na Tribuna Livre, ele criticou o desempenho do novo hospital construído em Franca, afirmando que a unidade ainda não corresponde às expectativas da população.

Segundo Policarpo, o hospital foi projetado para atender não apenas os moradores de Franca, mas toda a região, que reúne cerca de 1 milhão de habitantes. Ele também destacou que o município recebeu diversas emendas parlamentares destinadas à saúde, mas questionou a aplicação desses recursos.

“Vem dinheiro e nada acontece”, afirmou.

Como exemplo, Policarpo relatou que uma consulta com pediatra em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) está sendo agendada apenas para novembro.

Santa Casa também é alvo de críticas

A situação da Santa Casa de Franca também foi mencionada durante a sessão. Segundo Policarpo, pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam dificuldades para conseguir atendimento, enquanto usuários de planos de saúde conseguem acesso com mais rapidez.

Vale lembrar que questões relacionadas à gestão da instituição, incluindo gastos com publicidade, já foram alvo de reportagens da Folha Franca.

Vereadores defendem investigação

A vereadora Marilia Martins (PSOL) afirmou que a Atenção Básica é atualmente o setor mais crítico da saúde municipal. Ela também citou denúncias antigas de que parte dos médicos não estaria cumprindo integralmente a carga horária prevista.

Já o vereador Leandro Patriota (PL) informou que está recolhendo assinaturas para protocolar a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). O objetivo é investigar possíveis irregularidades e identificar as causas dos problemas enfrentados pela população.

Entre as denúncias recebidas pelo parlamentar está a de que um servidor comissionado da área da saúde estaria deixando o local de trabalho durante o expediente para exercer outra atividade.

O vereador Walker de Sousa (PL), que construiu sua carreira no Corpo de Bombeiros, afirmou que esse tipo de conduta seria inadmissível na corporação.

“Venho de uma instituição em que, se isso acontecer, a pessoa pode ir presa”, declarou.

Patriota defendeu que a investigação da saúde não tem caráter político e pode contribuir para a melhoria dos serviços prestados à população.

“O objetivo não é prejudicar o município, mas ajudar a melhorar a saúde pública”, afirmou.

O vereador Zezinho Cabeleireiro (PSD) também declarou apoio à proposta. “A saúde em Franca é motivo de reclamação todos os dias. Venho alertando sobre isso há muito tempo”, disse.

Mais de 10 mil pessoas aguardam cirurgias

Durante o debate, o vereador Marcelo Tidy (MDB) chamou atenção para a fila de cirurgias eletivas no município. Segundo ele, atualmente cerca de 10.600 pacientes aguardam procedimentos na rede pública de saúde.

“É preciso reduzir esse número”, afirmou.

A expectativa é de que o tema volte à pauta nas próximas sessões da Câmara. Caso a CEI seja criada, os vereadores terão poderes para aprofundar as investigações, solicitar documentos, convocar responsáveis e apurar as denúncias envolvendo a gestão da saúde pública em Franca.

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