O setor calçadista, um dos mais afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, contará com um plano de socorro do governo federal. A medida faz parte da retomada de um programa de apoio voltado às empresas prejudicadas pelas novas tarifas aplicadas ao Brasil.
Na semana passada, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil.
O governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a taxação. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.
“O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores diante dessa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, durante coletiva de imprensa em Brasília. O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, entre eles Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
Segundo Márcio Elias Rosa, além da indústria calçadista, os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos e açúcar estão entre os mais impactados pelo aumento das tarifas. As empresas desses segmentos deverão ter acesso a linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de apoio para ampliar o escoamento da produção e conquistar novos mercados internacionais.
Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, aponta que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras são diretamente afetadas pelo tarifaço. Juntas, elas representam aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões em negócios, com base nos dados de 2024.

