Um homem que se apresenta nas redes sociais como treinador financeiro é alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio da Promotoria de Direitos Humanos da Capital, na última quinta-feira (25).
Segundo a ação, o influenciador publicou, em 26 de dezembro de 2025, um vídeo no Instagram em que afirmou que “pobres não deveriam votar” e que “pobre quer tirar vantagem em tudo”.
Para o promotor Ricardo Manuel Castro, responsável pelo caso, as declarações associam a falta de recursos financeiros à irresponsabilidade constitucional, configurando uma conduta marcada pela aporofobia — discriminação ou discurso ofensivo contra pessoas em situação de pobreza.
Além do influenciador, a empresa Meta, responsável pelo Instagram, também é ré na ação. O Ministério Público pede a remoção do vídeo e do perfil do influenciador na plataforma, a preservação dos dados da conta para fins de investigação e a condenação do réu à obrigação de não publicar novos conteúdos com teor aporofóbico.
A ação também solicita que o influenciador participe, no prazo de um ano, de um curso sobre inclusão social, com carga horária mínima de 30 horas e conteúdo específico sobre aporofobia.
O MPSP ainda requer a condenação ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social. O valor, caso seja deferido pela Justiça, deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
A investigação teve origem em peças de informação encaminhadas pelo Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), que identificou publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas em situação de pobreza.
Para o Ministério Público, o influenciador reforça estereótipos ao associar pessoas pobres à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática.
A reportagem não conseguiu contato com o influenciador até a publicação desta matéria. O nome dele não foi divulgado pelas autoridades.


