As novas exigências regulatórias da União Europeia podem dificultar a exportação de café brasileiro, especialmente por parte dos pequenos produtores. O impacto tende a ser significativo, já que mais da metade das exportações nacionais de café tem como destino o mercado europeu.
As restrições serão impostas pelo Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), cuja aplicação está prevista até junho de 2027. A expectativa do governo federal é que cooperativas rurais e agricultores familiares enfrentem maiores dificuldades para comercializar a produção com os países do bloco europeu.
Os dados fazem parte do estudo “Descarbonização e Política Industrial: Desafios para o Brasil”, elaborado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e divulgado nesta sexta-feira (26) pela Agência Bori, especializada na divulgação de pesquisas científicas.
Segundo o levantamento, 51,2% das exportações brasileiras de café tiveram como destino a União Europeia em 2024, evidenciando a forte dependência do setor em relação ao mercado europeu. O estudo também aponta os impactos que a nova política ambiental da UE poderá provocar sobre o agronegócio brasileiro.
Uma das principais exigências do EUDR determina que os produtos comercializados no bloco europeu deverão comprovar que não foram produzidos em áreas desmatadas após dezembro de 2020. Sem essa comprovação, a importação será proibida pelos países da União Europeia.
De acordo com os pesquisadores, os pequenos cafeicultores deverão ser os mais afetados pelas novas regras. Isso porque muitos enfrentam limitações técnicas, dificuldades na regularização fundiária e obstáculos para implementar sistemas de rastreabilidade capazes de comprovar a origem sustentável da produção.
Novas regras devem ampliar desafios para pequenos produtores
Além da necessidade de comprovar a origem do café, especialistas alertam que a adequação às novas exigências poderá aumentar os custos de produção e exigir investimentos em tecnologia, georreferenciamento e documentação das propriedades rurais. Para pequenos produtores e cooperativas, essas adaptações representam um desafio adicional para manter o acesso ao importante mercado europeu.


