O título está correto e, apesar da extensão do tema, tentarei ser o mais breve possível, acompanhando as novas dinâmicas da comunicação.
Comecei muito cedo no jornalismo, em uma época em que era praticamente impossível trabalhar sem diploma. Fiz reportagens a vida toda, além de outros trabalhos e passei por três faculdades, mas já não tenho mais disposição para jornalismo — ao menos na cidade.
Criei inúmeros projetos e fui alvo de muita perseguição nos últimos anos. A ponto de ver um político tentar se apropriar de uma criação minha e um juiz de Franca, em tempo recorde, passar por cima até da Justiça Federal para tentar transformar um político em jornalista. Esse episódio foi mais um balde de água fria na minha vontade de informar bem a população.
Além disso, acompanhei de perto matérias e anúncios dos veículos de comunicação locais nos últimos anos. As notícias policiais ditam a audiência, mas hoje há grande concorrência, já que é simples produzir conteúdo apenas seguindo viaturas da polícia. Sem contar que os principais veículos sobrevivem, em grande parte, de recursos de instituições como a Acif, a Prefeitura e a Santa Casa.
A Acif, mantida pelos lojistas, em vez de focar na categoria, investe em uma mídia fragilizada e facilmente influenciável, além de correr atrás de políticos — basta observar campanhas como a do voto. Sobre a Prefeitura, a situação da cidade fala por si. Já a Santa Casa, após casos graves e até cegar pessoas em outra cidade, parece aguardar a inauguração de um novo hospital para fingir que nada aconteceu, deixando um rastro de dívidas.
Grande parte dessas estruturas se mantém há décadas, sustentando um modelo que convive com filas na saúde e espaços públicos abandonados. Soma-se a isso as dificuldades que enfrentei para montar uma redação, a inércia de boa parte da população e as mudanças no cenário da comunicação. Eu mesmo passei meses indo duas ou mais vezes por dia ao centro de Franca e nunca vi o prefeito pessoalmente — apenas na internet.
A comunicação mudou. Hoje é possível fazer um jornal sobre Franca a partir de qualquer lugar, mas essa não é a forma como trabalho. Desenvolvi um sistema de comunicação que pretendo colocar em prática, com a presença de Franca, porém fora do jornalismo tradicional.
Esse espaço deixo para políticos e para aqueles que necessitam de jornais em seus projetos de poder — sem desmerecer os jornalistas sérios, que seguem enfrentando a desvalorização da profissão nas ruas e redações.
Para mim, neste momento, é menos desgastante e mais vantajoso prestar serviços a terceiros ou investir nas minhas próprias criações, mantendo distância de advogados, políticos ou qualquer outro tipo de interferência indevida.

