Policiais civis desarticularam, na terça-feira (24), um “call center” utilizado para aplicar o golpe do falso advogado e outros crimes de estelionato, na cidade de São Paulo. Ao todo, 16 pessoas foram presas em flagrante, enquanto atuavam em um imóvel com estrutura tecnológica montada no bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital.
A operação foi conduzida por investigadores da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), após o recebimento de uma denúncia anônima indicando que o local estaria sendo utilizado para a prática de golpes. No endereço, os policiais observaram intensa movimentação de pessoas entrando e saindo do imóvel.
Um dos suspeitos foi abordado e revelou que, no local, funcionava uma central equipada com diversos notebooks e outros dispositivos eletrônicos. Nos fundos do imóvel, os agentes flagraram várias pessoas operando computadores.
Em um dos equipamentos, foi encontrada uma conversa com uma vítima, que havia enviado um comprovante de transferência no valor de R$ 1,3 mil. Após consulta, os policiais identificaram um boletim de ocorrência registrado pela própria vítima, relatando ter sido alvo do golpe do falso advogado.
Segundo o delegado Ronald Quene, titular da 1ª Cerco, os criminosos utilizavam informações de processos públicos para enganar as vítimas. “Eles obtinham dados de ações judiciais, se passavam pelos advogados das vítimas e solicitavam pagamentos sob a justificativa de taxas judiciais, honorários, entre outros custos”, explicou.
O imóvel onde funcionava a central clandestina era alugado, e o proprietário também estava presente no momento da operação. De acordo com a polícia, ele teria ligação com o grupo criminoso e possui antecedentes.
As investigações indicam que a quadrilha atuava de forma organizada, com divisão clara de funções, incluindo captação de dados, criação e gerenciamento de perfis falsos, contato com as vítimas e movimentação dos valores obtidos de forma ilícita.
Durante a ação, foram apreendidos dois carros, uma motocicleta, R$ 1 mil em dinheiro, duas máquinas de cartão, 36 celulares, 58 cartões bancários, além de diversos notebooks e fones de ouvido do tipo headset, frequentemente utilizados em centrais de fraude.
O caso foi registrado como associação criminosa, estelionato e apreensão de objetos e veículos.

